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MP3 - Passado, presente e futuro

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mp3   Passado   presente   futuro   Standard Recording   ISRC  


Um dos aspectos mais impressionantes no que toca a criação de música através de um computador, são as transformações milagrosas que levam um simples músico a tornar-se num produtor experiente e num astuto engenheiro de som, no curto intervalo de tempo que leva a realizar a instalação de um programa. É claro que isto não é verdade. O facto de possuir as ferramentas indicadas para produzir música de qualidade, não significa que o vá conseguir. Posto isto, acredita-se que a aprendizagem e o melhoramento advêm da prática. Os seus ouvidos poderão ser ensinados a ser bons críticos e consumidores com discernimento de música, o que lhe irá conferir a capacidade para decidir o que soa bem. Criar uma fabulosa mistura de sons e produzir um trabalho final de qualidade não é fácil, e esta é a razão porque as editoras discográficas pagam tão bem aos produtores – assegurando a qualidade do seu produto. Se tiver tempo para aprender a arte, conhecer as ferramentas e talvez procurar ajuda profissional em livros e revistas, então estará a dar a si próprio a melhor oportunidade de criar um produto polido, profissional e de qualidade. Como alternativa poderá adoptar outra táctica, tentar produzir sem grandes receios ou formação, havendo fortes possibilidades de o produto final não ser o perfeito mas sim uma fiel reflexão de si próprio. Artistas como Gomez, The Streets e The White Stripes são a prova que a produção profissional e polida não é necessariamente a chave para o sucesso.

O seu programa de gravação permite-o criar um único ficheiro com toda a mistura. Faz isto através do processamento de todas as faixas, todos os efeitos, movendo-se através de todos os processos automáticos presentes numa mistura e dando origem a um ficheiro no seu formato de eleição. No caso de querer gravar a música num CD, um destino comum, este ficheiro deverá ser do tipo .wav a 16 bit 44.1kHz ou como alternativa aplicar uma resolução mais elevada: 24 bit a 96kHz e depois aplicar mais um programa dedicado a masterização, para dar os retoques finais e criar o produto final antes de lhe reduzir a qualidade para 16 bit 44 kHz.

Existe um par de bons programas dedicados à masterização, Wavelab da Steinberg e Sound Forge/CD Architech da Sony.  Ambos são editores de elevado detalhe com ferramentas avançadas de análise e edição áudio, qualidades estas que não estão presentes no seu programa de gravação. Ferramentas como um analisador de frequências e de espectros, poderão mostra-lhe quais os segmentos que irão beneficiar de alguma equalização. Estes contêm compressores multibanda para que a sua música atinja o nível necessário para ser masterizado em CD. Por ultimo estes programas contem todas as ferramentas necessárias para criar um CD master, que é um CD áudio a partir do qual se fazem as duplicações. Os CD´s possuem um sub código para dados de oito canais, além do áudio, normalmente apelidado de informação “P&Q" (embora vá de P para W) já que estes são os dois canais mais usados e de maior importância. O “P" dá o tempo de inicio da faixa ou num pedaço continuo de música pode ser usado como marcas de movimentos ou onde você desejar que o CD salte após carregar no botão “skip" (próxima faixa). O “Q" guarda o International Standard Recording Code (ISRC), código este que guarda informações sobre o país de origem, ano de publicação, direitos de autor, número de série e “tags" adicionais como a “data track mute" e direitos de copia. Poderá criar CD´s áudio com o próprio Windows através do Media Player, no entanto este não o irá aprofundar muito. Um pormenor interessante é o “CD Text" que é uma extensão do standard CD master e que lhe irá permitir identificar o nome do álbum e do artista no display de um leitor de CD´s. Criar um CD com sua própria música e ver-se identificado quando o insere num leitor é uma sensação muito agradável.  

Outro destino possível para a sua música é o DVD, o que provavelmente irá traduzir-se em “Surround Sound". As versões de topo dos programas de gravação possuem a função “Surround Sound mixing" incorporada e irão lhe permitir exportar 6, 8 ou 11 canais áudio. As ferramentas utilizadas para criar um ficheiro AC3 ou Dolby surround  para masterização ainda estão nas mãos dos profissionais , por isso de momento a sua única hipótese é dar os seus canais separados para uma empresa/casa de masterização e pagar uma pipa de massa. Em breve a tecnologia irá permitir sermos nos próprios a fazer esta masterização sem ter de gastar muito dinheiro e tornar-se-á tão fácil como criar um CD áudio hoje em dia.


Masterizar algo correctamente, embora seja uma arte, requer esforço e perícia. Um factor chave na masterização, é que esta não deverá ser feita pela mesma pessoa que fez a mistura. Parte do processo baseia-se na audição ser efectuada por um par diferente de ouvidos, gerando mais espaço para o desenvolvimento e processamento da música no sentido correcto e tirando assim o máximo partido desta. Se está a debater-se com a ideia de efectuar a masterização, existem alguns estúdios online que cedem as suas técnicas a qualquer pessoa com Internet. Faça o upload da sua música e eles irão reenvia-la para si já masterizada. Este é um desses sites: www.masteringworld.com.


O que é um "MP3"?

É espantoso como uma coisa tão pequena consegue causar tanto medo e turbulência no coração das grandes empresas de música. Mas nada disto é novo, existia um anúncio no início dos anos 80 que propagandeava “As gravações caseiras estão a matar a música", tal não aconteceu nem irá acontecer. A indústria musical está em mudança e irão haver baixas neste percurso, no entanto quando a poeira assentar as grandes empresas irão continuar na frente, mas esperemos, que com um maior respeito pelos artistas e consumidores.

O MP3 é um tipo de ficheiro áudio, muito similar aos ficheiros wave, no entanto com um tamanho mais reduzido, pois é um formato comprimido. Esta compressão não está relacionada com a compressão utilizada na mistura e gravação de áudio, é na verdade uma compressão de dados, tal como num ficheiro “zip". A compressão MP3 é inteligente pois reduz o tamanho do ficheiro sem diminuir a qualidade áudio (é algo discutível, e as pessoas muito o gostam de o fazer). O ficheiro com que fica possui uma extensão “.mp3",  o mesmo que um ficheiro wave com a extensão “.wav". É através desta extensão que surge o nome MP3, embora o Windows por vezes esconda a extensão para não assustar as pessoas, oferecendo-lhes como alternativa um ícone representativo do tipo de ficheiro em questão.

MP3 é uma abreviação para “MPEG audio layer 3", sendo MPEG a sigla de “Moving Pictures Expert Group", que são um conjunto de pessoas que tentam comprimir dados como vídeo e áudio, para que facilite o processamento de estes por computadores e pela Internet no geral. Os ficheiros áudio são grandes, pelo menos em relação as ligações actuais de Internet. Um CD Áudio de 16 bit 44.1 kHz em stereo utiliza 10 MB por minuto, ou seja uma musica de 3 minutos terá 30 MB. Um álbum inteiro deverá ocupar cerca de 640 MB embora possa reduzir este tamanho ao diminuir a resolução (por exemplo: 8 bit 22kHz) no entanto a qualidade irá diminuir.

Mas então porque iria querer diminuir a qualidade de áudio? Bem, a Internet é uma casa de publicação global. Começou com textos para o mundo ler, depois vieram as imagens e agora é sofisticada o suficiente para aguentar som, vídeo e outros tipos de media. Poderá publicar a sua música na Internet para que toda a gente a possa ouvir e fazer o download. Agora a sua música de 3 minutos, com 30MB é enorme em termos de Internet. Se estiver a utilizar uma antiga ligação por modem 56k poderá efectuar o download de meio MB por minuto na melhor das hipóteses, ou seja demoraria 1 hora para fazer o download da sua musica de 3 minutos em qualidade CD. Teria de ser um fã muito devoto para esperar tanto tempo. Para tornar as publicações na Internet uma realidade era obrigatório encontrar uma maneira de reduzir o tamanho dos ficheiros mas sem reduzir na qualidade.

Em 1995 o instituto Fraunhofer, na Alemanha, concentrou os seus esforços no enconding áudio (todos os outros standards MPEG envolvem vídeo) e foi assim que surgiu o MP3, “Qualidade de CD" com cerca de 1/12 do tamanho original. Conclusão, em vez de demorar uma hora com uma ligação lenta, em formato MP3 uma musica pode ser descarregada em meio minuto, ou ainda melhor poderá fazer a reprodução em tempo real, directamente da página de Internet. Surge assim o acesso imediato as suas músicas.



Então como conseguiram fazer isso? O formato MP3 usa código áudio perceptual e compressão psicoacustica de forma a remover toda a informação supérflua. O que isto significa é que esta compressão retira todos os dados que não se ouvem, altas e baixas frequências que os seus ouvidos não conseguem detectar. O resultado é um som surpreendente, que não consegue ser distinguido da qualidade CD por um ouvido que não esteja treinado, e que soa ao mesmo que o original. É aqui que começa toda a confusão sobre o fim da indústria musical. As pessoas podem pegar em CD´s comerciais e convertê-los em MP3, isto é um acto perfeitamente legal, mas no entanto poderão agora enviá-lo para os seus amigos. O uso de sistemas de partilha de ficheiros, que surgiu com o fenómeno “Napster", permitiu que desconhecidos pudessem partilhar todas as suas colecções com o resto do mundo. Então teoricamente uma pessoa poderia comprar um CD e em poucos minutos toda a gente no mundo poderia ter uma cópia. Vergonhoso e completamente ilegal.

O MP3 é muito possivelmente uma tecnologia temporária, já que com os melhoramentos actuais na velocidade das ligações, as pessoas começam a querer o “pacote" completo, diga-se os ficheiros wave. No entanto por muito pobres que sejam as vendas de DVD-Audio e de SACD, foi demonstrado que poucas pessoas estão interessadas na melhor qualidade possível de áudio e preferem comprimir 200 ficheiros MP3 num CD do que 5 minutos de qualidade DVD surround sound.


iPod e o iTunes

Com toda a confusão, alegações, ameaças e medos a cercar o formato MP3, foi necessário uma empresa forte com uma mão firme, para atravessar toda estes problemas e encontrar uma solução que apresente lucros, neste caso a Apple. Tudo no iPod é um trabalho de génio, o marketing, o factor “cool", o design e o produto em si. O iPod pôs a música digital na moda e o iTunes facilitou a sua venda. Se não está familiarizado, o iPod é o equivalente ao antigo Walkman da Sony, mas em vez de cassetes, este possui um pequeno disco interno, onde podem caber 20.000 músicas em formato MP3. A beleza disto é que poderá ripar toda a sua colecção de CD´s para dentro do seu iPod, seleccionar “shuffle" e ouvi-las até ao fim da sua vida. Para muitas pessoas fartas da rádio, e fora de contacto com as listas de êxitos, trouxe a música de volta as suas vidas. O iTunes é como uma loja de música gigante, onde em vez de se vender CD´s completos, as músicas são vendidas individualmente. Existem milhões de faixas para seleccionar e todos os dias são adicionadas mais ainda. Poderá fazer uma pré audição de 30 segundos para cada música, para que possa “testá-la" antes de a comprar – genial, embora não tão barato como a maioria dos consumidores desejaria.

Criando o seu próprio MP3

A maioria dos programas de gravação/edição áudio vêm com um MP3 encoder incluído. Quando estiver a realizar misturas poderá optar por exportar a mistura como um ficheiro MP3. Existem vários níveis de compressão e qualidade de som disponíveis no encoding de um MP3, os quais afectam o tamanho do ficheiro. 128kbps é geralmente o standard para o equivalente à qualidade CD, o que é aceitável para a maioria das pessoas. No entanto para um ouvido treinado, são perceptíveis algumas falhas, como a esmagamento de frequências altas, em especial alguns pratos de bateria, e portanto utilizar o encoding a 256kbps costuma fazer desaparecer estas falhas mas duplicando o tamanho do ficheiro.

Quer o destino final pretendido seja um CD, DVD ou MP3, o seu computador pode oferecer todas as ferramentas para o atingir. Pode, inclusive, fazer o design e impressão da sua editora, capas de disco e outro tipo de material. Se possuir tempo entre mãos, poderá ainda fazer a duplicação em massa dos seus próprios CD´s. Dito isto, o preço da duplicação de 500 ou 1000 CD´s numa empresa profissional é incrivelmente barato e estes ainda oferecem serviços como masterização, trabalho gráfico, design, embalamento, copyrights e códigos de barras. Uma alternativa bastante plausível.
    
          
Fonte: www.pc-music.com
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